Barcelona em Portugal

Portugal parece estar tomado por uma maré de azar. Tantas são as catástrofes naturais que nos últimos dois meses têm assolado este país. Os incêndios parecem penitências do inferno que ardem durante dias a fio, consumindo tudo e regressando para reacender o queimado. Uma avioneta avariada e desgovernada aterra numa praia e num mar de banhistas. Uma árvore cai de um monte em dia de procissão para atingir um monte de pessoas. Parece que tudo o que podia correr mal, corre pior. Mas não se arrolhe ao acaso a grande parte da responsabilidade que cabe ao Estado e aos cidadãos particulares no zelo das florestas, dos jardins públicos, dos equipamentos e das infra-estruturas. Talvez nesta incúria resida parte do “azar” que tem pairado sobre o nosso país.

 

O que me leva a pensar sobre o ataque terrorista desta quinta-feira em Barcelona. Desta vez, passou ao lado do nosso retângulo. Porém, não foi longe. E quem já foi à capital catalã e caminha hoje pelas ruas de Lisboa ou do Porto, sabe que as cidades não são assim tão diferentes em termos de afluência turística. Portugal é um país livre, democrático, razoavelmente tolerante e acolhedor – portanto, com todos os valores que o Daesh repudia. Devemos continuar com as nossas vidas, mas não na ilusão de que o nosso cantinho nunca será um alvo.

 

Depois do que se viu a propósito dos incêndios, sobretudo em Pedrógão Grande, em que tudo nas autoridades era descoordenação, descontrolo, desespero – e isto perante um cenário a que estamos, infelizmente, mais do que habituados –, o que eu temo é a nossa capacidade de resposta em caso de ataque terrorista, algo de que, felizmente, não temos qualquer experiência.

 

O ministério da Administração Interna e a Autoridade Nacional da Proteção Civil ficaram gravemente fustigados pelos fogos e necessitam urgentemente de reabilitar a sua imagem e as suas capacidades para tranquilizar a população.