SNS poupa 5 mil milhões à economia nacional

 

Os cuidados prestados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) permitiram poupar 5 mil milhões de euros para a economia portuguesa através das faltas ao trabalho evitadas e do aumento da produtividade. Estes são dados do estudo Índice de Saúde Sustentável de 2017, elaborado pela NOVA IMS, a escola de gestão de informação da Universidade Nova de Lisboa, que foi apresentado hoje na 7ª conferência Abbvie/TSF/Diário de Notícias no Centro Cultural de Belém, e que este jornal resume aqui.

 

Segundo o estudo, os cuidados prestados pelo SNS permitiram que os portugueses faltassem ao emprego apenas uma média de 6 dias no ano passado, com um prejuízo de 2,1 mil milhões de euros, em vez de 7,8 dias, o que corresponderia a um prejuízo de 2,8 mil milhões de euros para a economia nacional. Os investigadores analisaram ainda a perda de produtividade causada pelo impacto da situação de doença e concluíram que o recurso ao SNS permitiu evitar a perda de 7,3 dias de trabalho em produtividade, que se traduziriam em 2,6 mil milhões de euros.

 

 

Contudo, o estudo revela também alguns dados preocupantes. A qualidade percecionada pelos utentes tem vindo a piorar desde 2014, com uma descida significativa de 68,3 pontos em 2016 para 66,7 pontos no último ano. As principais falhas são apontadas à facilidade de acesso aos cuidados (59,8 pontos) e aos tempos de espera entre a marcação e a realização dos atos médicos (53,1 pontos). Apesar desta perceção negativa por parte dos utentes, a avaliação da qualidade técnica do SNS, com base num conjunto de indicadores (incluindo a sépsis pós-operatória, a mortalidade por acidente vascular cerebral, o reinternamento em 30 dias e as cirurgias em ambulatório), indica uma melhoria considerável de mais de 5 pontos para 73,8 pontos em 2017.

 

No que diz respeito à acessibilidade e mobilidade, o retrato é mesmo vergonhoso e demonstrativo de um país onde a crise económica fez proliferar as desigualdades e impôs retrocessos, incluindo nos transportes. O Índice de Saúde Sustentável mostra que em 2017 os portugueses faltaram a quase dois milhões de consultas nos centros de saúde e hospitais devido aos custos dos transportes e aos preços das taxas moderadoras. O maior impacto verificou-se nos hospitais públicos, onde em 2017 ter-se-ão perdido cerca de 540 mil consultas por causa dos custos dos transportes. Um número que representa mais do dobro em relação ao peso das taxas moderadoras nesta atividade perdida (254 mil consultas deixaram de ser feitas em consequência dos preços das taxas nos hospitais). Já nos centros de saúde, é precisamente o contrário: o custo dos transportes terá evitado 253 mil consultas nos cuidados primários, cerca de metade da atividade perdida por causa das taxas moderadoras (490 mil).

 

Para quem gosta de números, e sobretudo para os amantes da economia e do equilíbrio das contas, os resultados do Índice de Saúde Sustentável ilustram a importância de um SNS de qualidade, universal e verdadeiramente acessível. Para além dos óbvios benefícios individuais e da indiscutível melhoria dos indicadores de saúde pública, o país sai a ganhar porque, teoricamente, cidadãos mais saudáveis faltam menos e trabalham mais e melhor, pondo mais dinheiro a circular na economia. Na prática, os números demonstram-no, com um retorno de cerca de metade do orçamentado para a Saúde em 2017 (9 801 milhões de euros, segundo o Orçamento de Estado 2017). Porém, ficam também à vista várias carências do SNS, que necessitam urgentemente de socorro. Sobretudo porque, ao chamar a atenção para o que ganhamos em ter um SNS de qualidade, percebemos o que perdemos se o não tivermos.