44 anos não pode ser tempo demais

 

Cumpriram-se 44 anos. Quarenta e quatro anos em que o povo saiu à rua, naquela madrugada inteira e limpa que os seus capitães juraram defender. E defenderam. E lutaram. E não usurparam. Aos capitães e aos civis que tombaram e que viveram em nome da Liberdade e de todos nós. A todos eles devemos o que somos hoje.

 

Mas quarenta e quatro anos não pode ser tempo demais. Continua a ser preciso sair à rua, em todos os dias 25 de Abril e em todos os outros dias em que ameacem Abril. Que não caia no esquecimento o que é um país amordaçado, que venham Paulos de Carvalho ensinar o que custou a Liberdade e Zecas trazer mais cinco. Que se oiça a Grândola em português, em catalão, em brasileiro, tantas vezes quantas forem precisas. Que se ergam cravos e punhos de velhos e crianças, ao som de um sonho que comanda a vida.

 

Não foi Abril que ficou por cumprir. Somos nós que o estamos a esquecer, por o tomarmos como certo. A luta pela Liberdade faz-se todos os dias: no trabalho, na habitação, na saúde, na justiça, na igualdade de género. No dia 25 de Abril de 2018 celebraram-se 44 anos de luta.