Saúde

A Saúde é uma das áreas em que Portugal mais tem evoluído no que respeita a cuidados de qualidade e a indicadores de saúde pública. Em cerca de 40 anos, Portugal ascendeu da cauda do mundo para os lugares cimeiros, alcançando indicadores de excelência, como a esperança média de vida e taxa de mortalidade infantil das mais baixas da Europa. O velho mito de que temos de ir “lá fora” quando precisamos dos melhores cuidados e dos tratamentos mais avançados não passa hoje disso mesmo – um mito, um anacronismo. Hoje, na Saúde em Portugal faz-se muito e faz-se bem.

 

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é uma das maiores conquistas da nossa democracia. Antes da sua criação, em 1979, os cuidados de saúde eram um privilégio de quem os podia pagar. Eram descoordenados, obsoletos e inacessíveis. Hoje, o SNS português é o 14º melhor de entre um conjunto de 35 países europeus. A evolução foi absolutamente estrondosa.

 

Contudo, hoje temos uma Saúde diferente de há, digamos, uma década atrás. Um SNS que tem vindo a deteriorar-se, fruto de políticas economicistas que gerem este setor como um mercado. Os hospitais e centros de saúde assemelham-se a fábricas, onde os cuidados são contratualizados e pagos “à peça”. Os serviços mais caros são os mais disponibilizados, independentemente de quais sejam as necessidades das pessoas. É por isso que atualmente temos cada vez maior afluência às urgências hospitalares, em detrimento de medicina de proximidade nos centros de saúde. Só se atua na urgência da doença e a medicina preventiva é, assim, o novo parente pobre. Os profissionais de saúde estão descontentes, exaustos, desiludidos, esmagados pela desumanidade que é hoje trabalhar num serviço de urgência. Estão despojados da dignidade de quem cuida de vidas humanas a troco de baixos salários, de cargas horárias hercúleas e de ingerências das administrações nos critérios clínicos. Na economia da coisa, os gastos são maiores para o erário público. Ganham os grupos privados, que têm vindo a proliferar, mas que descartam para os hospitais do SNS no momento em que os doentes, não podendo pagar, mais necessitam.

 

Não podemos abdicar de uma Saúde de qualidade para todos. Não podemos permitir que o trabalho e conquistas de quatro décadas sejam destruídos. Não queremos voltar à vergonha das elevadas taxas de mortalidade, à saúde elitista e aos cuidados inacessíveis. É urgente lutar para acabar com o desmantelamento do SNS. E está em cada um de nós – utentes, familiares, amigos, profissionais de saúde – o poder de tratar da nossa Saúde.

 

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